Reabilitação energética: como melhorar a eficiência da casa
superadmin
January 4, 2019
Com a entrada do novo ano, já se pode dar por iniciada a contagem decrescente definitiva para a implementação da obrigatoriedade em toda obra nova para aplicar as diretrizes da Edificação de Consumo Quase Nulo. A partir de 2020, toda nova construção terá de cumprir com estas normas. Mas, o que há do parque antigo de edifícios? No mesmo caminho, as normas da reabilitação energética vêm dar resposta à mesma problemática no velho parque de habitações espanhol.
No nosso país, cerca de 60% dos imóveis foram construídos antes da década de 80. E, infelizmente, contam com um isolamento deficiente e materiais que primaram a economia em vez da qualidade. O que se traduz numa pior qualidade de vida para os seus habitantes, além de um gasto desmesurado em fornecimentos. Tudo isto num país onde um quarto do total de energia é gasto em interiores e nas suas cidades o maior consumo energético é o dos edifícios.
Por isso, a reabilitação eficiente - com ênfase em melhorar o isolamento e a ventilação para evitar o consumo de energia - não é apenas uma opção. É uma necessidade.
E é uma necessidade porque as diretrizes europeias obrigam a que em 2020 se reduza o nível de emissões de CO2. O nível ideal seria uma redução de 20%, e para tal os edifícios antigos têm uma importância capital.
Se queremos fazer uma habitação mais energeticamente eficiente, o principal elemento a reabilitar é a climatização, uma vez que 50% do consumo de uma habitação anualmente se origina no gasto de fornecimentos para encontrar um conforto térmico. Substituir os antigos equipamentos de aquecimento ou ar condicionado e apostar por uma melhor estanqueidade e no uso de ventilação mecânica pode representar uma melhoria para aqueles que habitam a habitação e também para as cidades. Além de melhorar a sustentabilidade.
No entanto, implementar um plano de reabilitação energética pode parecer complexo e dispendioso. A realidade é que o gasto do investimento inicial é recuperado num período de tempo razoável graças ao grande ahorro no consumo de energia. Como o levamos a cabo?
Elaborar um plano de reabilitação energética em habitações

O plano a elaborar de reabilitação energética numa habitação dependerá sempre do tipo de imóvel que se trate. Não há uma solução padronizada, mas deve ser feita de forma personalizada, se bem que há uma série de chaves que costumam repetir-se em todos os casos, como a necessidade de sistemas de ventilação mecânica e de uma maior estanqueidade.
As diferentes variáveis que deverão ser tidas em conta num plano de reforma para melhorar a eficiência energética costumam ser:
- A idiossincrasia geográfica do local. Na Espanha temos uma grande variedade climatológica e as soluções a aplicar variam em função do terreno. No entanto, é possível adaptar-se a isso, como o caso da primeira casa passiva que cumpre com o selo Passivhaus em um clima de calor extremo
- O tipo de construção. Por exemplo, os apartamentos construídos antes da década de 80 costumam ter materiais de baixa qualidade e não se tinha em conta qualquer tipo de isolamento térmico. O caso mais complexo é o dos sótãos em blocos de habitações, que não contavam com isolamento algum no teto, requerendo esforços extras neste sentido.
- A orientação ao sol e o tamanho das janelas. O uso de luz natural e a afetação dos raios do sol provocam uma grande influência nas construções a reabilitar.
- O tamanho dos compartimentos e da habitação. Os quartos e salas maiores são muito mais difíceis de climatizar do que os de menor tamanho. As casas têm outros problemas acrescidos, mas também é mais fácil adaptar-se aos casos de orientação ao sol.
Primeira ação: auditoria energética do edifício
Este primeiro passo é de suma importância, uma vez que nos dirá em que lugar se encontra a habitação a nível energético e até que ponto pode chegar. Deve calcular-se o uso energético total e o custo que supõe. Para isso, podem ser colocados em marcha os seguintes análises:- Monitorização dos consumos de forma anual.
- Cálculo da carga energética do edifício.
- Análises termográficas.
- Certificação energética do edifício.
Segunda ação: reabilitações eficientes
Talvez a ação mais importante no plano de reabilitação eficiente seja este segundo passo, que consiste em aplicar soluções aos problemas identificados, sobretudo na climatização. Podemos identificá-los em três áreas principalmente:- Isolamento exterior do edifício. Primeiro de tudo trata-se de isolar a fachada das intempéries do lado exterior. Neste caso, os revestimentos na fachada são a primeira opção e a segunda o uso de janelas isolantes e até portas exteriores. O problema para muitas habitações é que o tratamento exterior da fachada depende da comunidade, embora possam optar por janelas mais isolantes. Com um bom isolamento é possível reduzir o consumo energético na climatização pela metade.
- Estanqueidade da habitação. Se no isolamento se tratava de travar o temporal exterior, ao tornar a habitação mais estanque evitamos correntes de ar indesejadas e também que o lar mantenha a sua temperatura, sem fugas de calor no inverno. Para isso, é imprescindível identificar as fugas de ar, selar os espaços e buracos em janelas e portas, além de tapar os buracos nas paredes. Com uma boa implementação, a estanqueidade pode reduzir entre 40% e 50% o consumo em climatização.
- Ventilação mecânica. A melhor forma de reduzir a procura de calor em quase sua totalidade é a instalação de sistemas de ventilação mecânica de dupla fluxo com unidade recuperadora de calor. Além disso, são a melhor solução para garantir a saúde no lar, sobretudo após haver implementado um processo de estanqueidade na habitação.
Terceira ação: instalações eficientes
Após haver conseguido uma reabilitação energética baseada na eficiência do lar, o seguinte será apostar por mudar a instalação do lar para que seja de baixo consumo. Neste campo, são várias as propostas que podem ser consideradas:- Mudar a iluminação e contar com lâmpadas de baixo consumo. Economizam até 85% de energia em comparação com as tradicionais.
- Apostar por aquecedores de água e, se possível, reutilizar água sanitária proveniente da chuva.
- Optar por eletrodomésticos que sejam eficientes, graças aos dados oferecidos na etiqueta energética.
- Instalar soluções de energia verde, como podem ser os painéis fotovoltaicos. Outra boa opção é aproveitar a energia produzida pela aerotermia e a geotermia.
Apoios e subsídios à reabilitação energética

Desde o Ministério da Coesão existem numerosos apoios à melhoria das habitações em aspetos relacionados com a reabilitação respeitosa com a sustentabilidade, como o programa de fomento para a melhoria da eficiência energética e a sustentabilidade nas habitações.
Esses apoios à reabilitação são entregues tanto a proprietários de unifamiliares como também às comunidades de moradores. Afinal, é um dos mecanismos com que conta a Espanha para fazer frente às necessárias reformas em reabilitação energética que se exigem desde a União Europeia.
Esses subsídios fazem com que o investimento necessário para implementar as reformas necessárias seja menos dispendioso. Agora mesmo, na Espanha são os edifícios os que mais energia consomem, e o gasto que se gera nos lares pode diminuir-se notavelmente. Além disso, apostar na reabilitação energética é algo que mais cedo ou mais tarde será necessário. Agora mesmo, com os fortes aumentos do preço da eletricidade e outras energias, os lares podem chegar a situações de pobreza energética mesmo quando as famílias que os habitam não estejam em situações de precariedade.
Siber Ventilação
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