Salubridade: exigências do Código Técnico da Edificação
superadmin
April 18, 2017
Sabes quais são as exigências do Código Técnico da Edificação em matéria de salubridade? No presente artigo te explicaremos a relação entre os capítulos 1 (Proteção contra a humidade) e 2 (Qualidade do ar interior) com os sistemas de ventilação.
O documento básico estabelece que os edifícios devem ser projetados, construídos, mantidos e utilizados de maneira que se cumpram os requisitos de higiene, saúde e proteção do meio ambiente (e que são recolhidos sob o conceito de salubridade). O cumprimento dessas exigências permitirá, por um lado, minimizar o risco de que os ocupantes de um edifício (sempre que este seja utilizado em condições normais) sofram afecções ou doenças, e, por outro, reduzir o deterioro do próprio edifício e do meio ambiente que o rodeia.
SALUBRIDADE: PROTEÇÃO CONTRA A HUMIDADE
De acordo com o CTE DB HS 1, Proteção contra a humidade, é obrigatório limitar os perigos que pode ocasionar a presença indevida de água ou humidade nas edificações. Assim, devem ser disponibilizados métodos que evitem a penetração de água do exterior, que pode proceder das chuvas, das enxurradas, do terreno ou das condensações.Para evitar as incómodas humidades no interior do seu edifício, e, consequentemente, as doenças ou afecções que se podem derivar delas (problemas respiratórios, mal-estar geral, maus cheiros, constipações, sinusite, etc.) é indispensável dispor de um bom sistema de ventilação, de maneira que se garanta a extração do ar viciado (contaminado pelo CO2 que emitem as pessoas como resultado da sua respiração) e a impulsão de um ar limpo, fresco e livre de contaminação bacteriológica.
Ventilação natural: um sistema ineficaz
Tradicionalmente, o necessário processo de ventilação dos espaços tem sido realizado através da ventilação natural, seja esta unilateral, unilateral cruzada (a corrente de ar origina-se ao contrapor a entrada e a saída do ar) ou por tiro térmico (através de condutos verticais).Este sistema de ventilação natural comprovou-se ineficaz. Embora as duas últimas beneficiem da diferença de pressões entre a sobrepressão na entrada e a depressão na saída, não asseguram que os recintos estejam protegidos contra a humidade, com o que não se garante a não existência de fungos e bolores (a abertura constante de janelas e varandas entra em conflito com o necessário conforto térmico e o desejado ahorro energético). Além disso, deve-se ter em conta que uma ventilação natural por tiro térmico não funciona se houver inversão térmica ou se as condições exteriores não favorecem o efeito Venturi necessário para gerar as correntes de ar.
SALUBRIDADE: QUALIDADE DO AR INTERIOR
De acordo com o CTE DB HS 3, Qualidade do ar interior, a necessária renovação do ar deve ser efetuada graças à instalação de aberturas de admissão nos recintos secos (salas de estar, refeitórios e quartos) e de aberturas de extração nos húmidos (cozinhas, casas de banho e lavandarias).Este sistema de ventilação híbrida, se bem que é mais eficaz do que a ventilação natural, também apresenta desvantagens. Do ponto de vista energético é ineficaz: dado que o sistema carece de estanquidade, não é possível estabelecer um controle dos fluxos de ar. Além disso, por faltar dispositivos de recuperação de calor, não é possível aumentar a temperatura do ar que entra do exterior. Do ponto de vista do conforto também é pouco recomendável: dado que se trata de um sistema não equilibrado, não se pode estabelecer um controle sobre o caudal de entrada e de saída, e não se podem controlar as condições de humidade.
Ventilação mecânica controlada de duplo fluxo: uma solução eficaz e eficiente
Para evitar todos estes inconvenientes e garantir que o ar que penetra no interior do edifício é um ar saudável, livre de impurezas e contaminantes, é recomendável a instalação de um sistema de ventilação mecânica controlada de duplo fluxo, nos quais a insuflação e a extração são efetuadas por meios mecânicos. Este sistema permite a instalação de um recuperador de energia (de maneira que o ar impulsionado do exterior entra atemperado). Além disso, por se tratar de um sistema equilibrado, é possível agir sobre o volume de caudal de ar e sobre a humidade relativa (através da presença de sondas).
Siber Ventilação