Arquitetura bioclimática: exemplos do passado e experiências recentes
superadmin
January 19, 2017
O termo arquitetura bioclimática abrange conceitos muito amplos em relação às técnicas de construção e de conceber uma arquitetura integrada no meio ambiente. Desde o momento em que as técnicas de acondicionamento (ventilação, climatização, fornecimento de água potável, etc) respeitam o meio ambiente já estaríamos diante de um edifício bioclimático, independentemente de sua tipologia, número de andares ou de se localizar em um meio urbano ou isolado em um ambiente natural. Portanto, a arquitetura bioclimática pode ser definida como aquela que desenvolve projetos de habitações ou de qualquer outro tipo de edifício considerando as condições climáticas de sua localização e aproveitando os recursos naturais (incidência de sol, vegetação, chuva e vento) para minimizar os impactos ambientais e procurando reduzir ao máximo o consumo energético. A arquitetura bioclimática está intimamente ligada à construção ecológica que emprega sistemas construtivos que são responsáveis com o meio ambiente e utilizam recursos de forma eficaz ao longo de todo o tempo que dura seu processo de construção.
Uma das técnicas que costuma ser empregada ao desenhar uma habitação bioclimática é a de utilizar o terreno como estabilizador térmico. Enterrar uma habitação 1,50 metros em relação à superfície tem muitas vantagens se quisermos dotá-la de um sistema de acondicionamento eficiente e ecológico. O terreno a essa profundidade encontra-se sempre a uma temperatura estável, de modo que se situarmos a essa cota os principais ambientes da habitação: sala de estar, sala de jantar, quartos, etc, estaremos conseguindo que o calor gerado no interior fique armazenado dentro da habitação durante o inverno, enquanto que no verão atua como um recipiente que a isola do calor proveniente do exterior.
Exemplos do passado relacionados com a arquitetura bioclimática e experiências recentes
Existem exemplos de arquitetos que já na década de setenta desenvolveram sistemas aproveitando esses recursos naturais. MICHAEL REYNOLDS utilizou o terreno e materiais reciclados como pneus e embalagens de vidro que unidos por meio de areia compactada proporcionavam estabilidade térmica às suas habitações. Junto a isso, aproveita-se ao máximo a incidência de sol orientando a fachada principal para o sul com um fechamento inclinado de 45 graus que otimiza o aporte de calor durante o dia. Painéis solares situados na cobertura abastecem de eletricidade a habitação durante todo o ano.
Recentemente vimos outro exemplo de arquitetura bioclimática que aproveita as propriedades térmicas do terreno. Neste caso, as habitações estão na Austrália e optaram recentemente pelo PRÊMIO “WESTERN AUSTRALIA ARCHITECTURE” (Instituto Australiano de Arquitetos). Trata-se do muro de terra compactada mais longo da Austrália com 230 metros de comprimento. Contém doze residências cobertas de terra, projetadas para fornecer alojamento de curto prazo durante a temporada. Com sua fachada de terra batida de 450 mm de espessura, a duna de areia e a formação de seus telhados, as residências possuem a melhor massa térmica disponível, o que as torna naturalmente frescas neste clima subtropical. A parede de terra compactada é composta por argila de ferro, areia que é característica do local, uma brita que é obtida do rio adjacente e água que surge de uma perfuração local. Este conceito de implantação de uma zona residencial representa uma nova abordagem para a arquitetura do noroeste da Austrália.
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