Arquitetura de consumo quase nulo, que desafios e oportunidades existem em Espanha?
superadmin
May 8, 2018
A Construção de Consumo Quase Nulo (CCQN), também conhecida como nZEB pelas suas siglas em inglês (nearly Zero Energy Building), é considerada a grande oportunidade para o setor da construção de ser totalmente sustentável. Também o é para a indústria auxiliar e trata-se de um desafio muito interessante para os projetistas de edifícios. A arquitetura de consumo quase nulo está a preparar-se para poder adaptar-se às normas que entrarão em vigor em menos de dois anos.
Desde 2018 já existe a obrigatoriedade para toda a construção pública de implementar a construção de consumo quase nulo, o maior desafio em eficiência energética no setor. E a partir de 2020, todas as construções que forem elaboradas no nosso país terão que cumprir com as normas nZEB, que basicamente priorizam que as habitações ou outras divisões não necessitem praticamente de energia e sejam totalmente sustentáveis.
Se bem que em alguns países do norte da Europa esse tipo de construção é uma realidade há algum tempo, em Espanha foi necessária a intervenção da União Europeia para que o setor começasse a transformar-se para este modelo. Quem está a fazer o maior esforço? Os arquitetos especializados em edifícios de consumo quase nulo, muitos dos quais reconvertidos de outros setores tradicionais.
O quebra-cabeças que os arquitetos têm que resolver face a esta nova forma de construir é que devem seguir as diretrizes da Diretiva de Eficiência Energética em Edifícios da UE. Basicamente, o que aí se expõe é que a energia consumida por estas habitações deverá ser gerada a partir de fontes renováveis. Algumas delas estarão no mesmo local do imóvel e outras no seu entorno.
Por outro lado, os arquitetos têm que garantir que essas fontes de energia alternativas não afetem a saúde de quem irá ocupar as habitações. A orientação, o isolamento, as fachadas e coberturas ventiladas, os painéis solares, os sistemas térmicos e, claro, as soluções de ventilação mecânica de dupla fluxo são fundamentais nesta nova forma de construir.
O que os profissionais apontam em arquitetura de consumo quase nulo
Os arquitetos devem concentrar-se em manter custos acessíveis colocando em primeiro lugar as necessidades da arquitetura de consumo quase nulo. E concordam que, para este tipo de design de novos edifícios, o mais destacado seria:
- A zona e a localização do edifício. A latitude oferece ângulos solares que é necessário evitar no verão e aproveitar no inverno, pois fornecerão calor gratuitamente. Uma solução arquitetónica é plantar árvores de folha caduca que tapem o calor no verão e cujas folhas caiam quando as temperaturas descem. Outra boa solução é colocar cortaventos fora das habitações, para assim nos protegeremos dos climas frios.
- A orientação construtiva. Temos que encontrar uma forma que nos ofereça o conforto necessário sem recorrer aos meios tradicionais de climatização. Os profissionais opinam que é uma boa solução recorrer à arquitetura vernacular, que se adapta às necessidades regionais de cada povo. Também é necessário que o edifício seja compacto e tenha uma melhor orientação para o sul. Outra solução é que as divisões frias, como os dormitórios, estejam localizadas na parte do edifício que recebe pouca radiação solar, no norte. E igualmente o sol é aproveitável para pré-aquecer espaços que sejam habitados durante as primeiras horas do dia. Os arquitetos recomendam também a instalação de proteções com lâminas horizontais a sul e verticais a leste e a oeste.
- Soluções envolventes. Já que os edifícios perdem calor através das paredes, do chão e dos tectos, deve apostar-se por um grande isolamento, carpintaria especializada e evitar pontes térmicas.
- Eficiência energética. Para isso, é imprescindível contar com sistemas de ventilação mecânica, entre os quais se destacam as opções de dupla fluxo. Também opções de geotermia e poços canadenses, aerotermia, energia eólica e, claro, painéis solares.
- Adaptação a cada clima. Com a arquitetura de consumo quase nulo, a necessária adaptação a cada clima é mais importante do que nunca. Em locais quentes e secos deve evitar-se o sobreaquecimento e potenciar uma captação solar no inverno. Em contrapartida, se o tempo é húmido a ventilação será ainda mais necessária. Os climas frios também mudam e necessitam de maior isolamento, captação solar e ventilação noturna no verão.
Siber Ventilação
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